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segunda-feira, 4 de julho de 2011

A Eucaristia nos une a Cristo e nos transforma n’Ele

http://www.acnsf.org.br/article/53/A-Eucaristia-nos-une-a-Cristo-e-nos-transforma-n-rsquo-Ele.html
A Eucaristia nos une a Cristo e nos transforma n’Ele
O sacramento da Eucaristia, ao transformar-nos de certa maneira no próprio Cristo, nos encaminha para a felicidade eterna e nos faz pregustá-la já nesta terra. Este cativante tema é a seguir desenvolvido pelo douto dominicano Frei Ferdinand-Doratien Joret.

A união transformante, ápice da vida mística
A mais bela fórmula da via mística, plenamente vivida na união transformante, é esta: "a alma vive em Deus e Deus vive na alma". Pois bem, esta frase, repetida várias vezes nos escritos de São João Evangelista, nós a ouvimos pela primeira vez dos lábios do próprio Jesus, justamente quando nos prometeu a divina Eucaristia: "Quem come minha Carne e bebe meu Sangue vive em Mim, e Eu nele" (Jo 6, 56).

Nosso Senhor disse então, a propósito da Eucaristia, o que Ele mesmo e seu discípulo amado, o qual fala sob sua


Custódia dos Arautos do Evangelho inspiração, repetiram depois, tratando da vida da caridade e da ação do Espírito Santo nas almas.
Nós vivemos em Deus
"Quem permanece na caridade permanece em Deus, e Deus permanece nele" (1 Jo 4, 16). Permanece em Deus, pois a virtude da caridade é obra imediata do próprio Deus.

É Ele, é seu Divino Espírito em pessoa que a expande em nossos corações.

Ele a dá, esperando que ela suscite e regule seus atos. Toda alma em estado de caridade encontra-se, pois, fundamentada em Deus. Mais ainda, quando sua caridade se desabrocha em atos, torna-se como a vida de Deus comunicando-se ativamente à alma. Na realidade, ela mora em Deus e d'Ele recebe, como de sua própria fonte, a vida.

Deus permanece em nós
Nessa atividade, porém, regressa a alma ao seu princípio vital. A caridade mesma, ao se espraiar sob a ação do Espírito Santo, nos faz retornar ao próprio Deus, que vive em nós. Voltamo- nos para nós mesmos e abraçamos ali essa alma de nossa alma, que é o Espírito Santo e, pela capacidade sobrenatural da virtude da caridade, entramos no gozo desse divino objeto.

Então Ele Se dá verdadeiramente a nós. Ele é o fim e, ao mesmo tempo, o princípio de nosso ato de amor. Estamos em Deus e Deus está em nós.

Já se encontrava Ele em nós antes de surgir em nós o amor, pelo simples fato de nos ter dado esse amor em potência e assim o possuirmos. É dessa forma que Deus reside na alma do recém- nascido e recém-batizado. Compreende- se, contudo, que essa residência em razão do amor habitual acaba por fazer-se atual e explícita, logo que praticamos um ato de amor a Deus. É aí que nos unimos a Deus e, em certo sentido, nos abraçamos a Ele.

Um novo progresso se realizará nessa vida quando essa união se torne consciente, como ocorre no estado místico. A alma terá a impressão de ser atraída por Deus, íntimo dela, à maneira de um ímã que atuasse sobre seu coração e mais ou menos sobre todas as suas demais faculdades, que se concentram e se recolhem n'Ele, num único anelo de amor.

Chega até a ter a sensação de O tocar.
Tal sentimento alcança sua plenitude e se torna contínuo no estado que Santa Teresa denomina "união transformante" ou "matrimônio divino", que é, nesta terra, a maior antecipação do Céu.

A meu juízo, estão certos os teólogos que consideram esse estado místico, cujas etapas percorremos muito abreviadamente, como um desenvolvimento normal da vida espiritual levada com naturalidade até as suas últimas fases. Mesmo opinando, como outros o fazem, que o estado místico está fora da normalidade da vida sobrenatural da graça, forçoso é reconhecer que a Eucaristia realiza de todos os modos uma união transformante muito real e sumamente profunda.

A ninguém deve causar estranheza que particularmente na hora da Comunhão se experimente o estado místico; pois, nesse momento, tudo contribui para induzir a alma ao místico arrebatamento: um sinal sensível nos traz a presença corporal de Cristo, ao mesmo tempo que o Espírito de Deus estimula em nós a caridade, concentrando- a toda no amor extático.

Visto isso, vamos expor como, pela Comunhão, se produz na alma a união com Cristo e a transformação n'Ele.